quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Miguelanzo Prado cria narrativa poética em "De profundis"

O filme "De profundis", animação que recorre apenas a imagem e música e que se estreia hoje em Portugal, assinala a estreia do autor de banda desenhada galego Miguelanxo Prado na realização. "De profundis" estará em exibição em apenas dois cinemas de Lisboa e será antecedido da curta-metragem "A maior flor do mundo", do espanhol Juan Pablo Etcheverry.



Miguelanxo Prado está por estes dias em Lisboa para a estreia do filme e para contacto com o público e sessão de autógrafos, no sábado na FNAC Colombo.

Em Lisboa estará também o músico Nani Garcia, autor da banda sonora de "De profundis". As suas composições foram interpretadas no filme pela Orquestra Sinfónica da Galiza.

Co-produzido por Portugal e Espanha, "De Profundis" conta uma história de amor, entre o sonho e a realidade, de um pintor, que se aventura num barco de pescadores para melhor retratar o habitat marinho, e de uma violoncelista que habita uma casa no meio da água.

O filme escapa aos parâmetros do cinema de animação mais convencional. É feito a partir dez mil imagens originais, entre acrílicos e desenhos, que se sucedem como uma "banda desenhada animada, uma associação de vinhetas", disse o autor em entrevista à Lusa quando aqueles desenhos foram compilados em álbum em finais de 2008.

Cinco anos de trabalho

O livro, também intitulado "De profundis", reproduz em papel a narrativa poética do filme e foi editado pela Asa.

"De Profundis", premiado com um Goya de melhor filme de animação, demorou cinco anos a concretizar, um trabalho "muito longo e intenso" que Miguelanxo Prado disse que tinha que experimentar, embora a banda desenhada seja para si a arte suprema.

"Há uma conclusão clara depois de todas as linguagens que utilizei: a banda desenhada é aquela que eu acho mais potente e onde tenho maior satisfação com a criatividade. A combinação é quase perfeita", disse.

Miguelanxo Prado, 51 anos, é um dos mais conhecidos autores espanhóis de banda desenhada e tem grande parte da sua obra publicada em Portugal, como os volumes humorísticos "Quotidiano Delirante", os poéticos "Traço de giz" e "Tangências", a adaptação "Pedro e o lobo" e o futurista "Fragmentos da enciclopédia délfica".

Já "A maior flor do mundo", do galego Juan Pablo Etcheverry, é uma adaptação de um conto de José Saramago.

Com recurso à plasticina, o filme tem dez minutos de duração e narração do próprio José Saramago, que aparece retratado no filme. A música é de Emilio Aragón e foi interpretada pela Orquesta Sinfónica de Tenerife.

"A maior flor do mundo", cujo conto original está editado em Portugal com ilustraçãoes de João Caetano, foi já exibido no Fantasporto e no IndieLisboa e premiada nos Estados Unidos e Espanha.

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